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Gato de loiça

Meu amigo, se chegaste até aqui, os meus parabéns, mas devo já confessar-te que daqui não sairão textos eloquentes, histórias de encantar e palavras bonitas. Se quiseres fica e lê, sê bem vindo.

Gato de loiça

Meu amigo, se chegaste até aqui, os meus parabéns, mas devo já confessar-te que daqui não sairão textos eloquentes, histórias de encantar e palavras bonitas. Se quiseres fica e lê, sê bem vindo.

A impermanência das coisas ou carácter efémero

Fevereiro 01, 2018

gatodeloiça

Quando finalmente nos começamos a conhecer, ou seja deixamos de olhar tanto para os outros e começamos a focar-nos em nós, reparamos em mil e uma coisas que não tinhámos reparado antes.

Constatei há algum tempo na minha impermanência em relação às coisas. Não é que deixe de gostar delas, deixam é de me interessar como antigamente. Não consigo permanecer em algo muito tempo. É um apego/ desapego.

Talvez a minha natureza seja assim mesmo, não há como contrariar. Por exemplo, começo uma atividade que me empolga durante um tempo, dou-lhe alguma continuidade, mas depois...aborreço-me.

É como se conhecesse o lado inverso da coisa, sem o entusiasmo inicial.

Reparo, e com alegria que há pessoas que têm, por exemplo blogues há 3 anos, ou mais...

Como conseguem???

Talvez a escrita seja uma permanência na vida das pessoas que escrevem, mas tanto podemos escrever aqui como ali. A escrita ultrapassa as barreiras físicas. Podemos escrever onde quisermos.

Eu dou por mim a pensar, que nem sei o que farei amanhã, pois é um dia completamente novo, quanto mais daqui a três anos. É de se tirar o chapéu. É como se na minha vida houvesse muitos cruzamentos e não apenas estradas em sentido único. E quando saio de uma estrada, passado um tempo encontro outra via , outro atalho ou um cruzamento que possa seguir.

Dei comigo a pensar que se tivesse ficado mais algum tempo poderia ganhar algo, mas o que é interessante é que se não ganhei por ter fechado a porta cedo demais, ganhei de outros lados.

Só há permanência em mim, ou em qualquer coisa, se esse qualquer coisa fizer sentido, caso contrário, é quase uma saída de imediato.

A minha profissão que não foi amor à primeira vista e que se pudesse estaria a fazer outra coisa qualquer, agora penso que é um "companheiro", com altos e baixos a gerir. Se vir bem também não é um estado de permanência total, pois em cada ano civil, embora desempenhe a mesma profissão, mudo de local de trabalho duas vezes por ano, nunca sendo o mesmo, com tudo o que comporta: novos colegas, novos coordenadores, novos espaços, novos alunos e até novas zonas a conhecer.

Constatei que as únicas coisas permanentes na minha vida, sou eu e os meus filhos .

Os meus filhos que me dão mais prazer, são a única permanência que quero na minha vida, mesmo que um dia, não os veja com tanta frequência. Não sei se é bom ou se é mau, mas se não fosse assim não tinha experimentado tanta coisa, feito tanta coisa e conhecido tantos mundos!

O que é interessante é que quando olhamos para trás, vemos que fizemos muita coisa, conhecemos muita gente,  e guardamos sempre com algum carinho pessoas que conhecemos pelo caminho. O mais importante não é ser para sempre até ao final das nossas vidas, mas a permanência que levámos desses sítios, pessoas e situações. Ou seja aprendizagens, lições e ligações,  pois a vida é isso mesmo, um conjunto de experiências seguidas umas das outras. como se fosse um estágio. Não é propriamente a permanência que importa, mas o que vivemos.

 

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